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Quimioembolização: dupla frente de ataque aos tumores

Técnica minimamente invasiva tem se mostrado efetiva no controle e redução de tumores de fígado.

Náuseas, queda de cabelo, indisposição, problemas intestinais e infecções são alguns dos efeitos colaterais que pacientes submetidos à quimioterapia costumam enfrentar. Se, de um lado, a medicina não pode abrir mão de sua eficácia na luta contra os tumores, de outro, já existem formas menos agressivas ao organismo de utilizar essas substâncias. É o caso da quimioembolização de tumores, principalmente no fígado.

Minimamente invasivo, o procedimento combina duas frentes de ataque: a embolização, técnica adotada para obstruir os vasos sanguíneos que nutrem o tumor, a fim de diminuí-lo; e o uso de quimioterápicos, em geral as mesmas drogas da quimioterapia convencional. Na quimioembolização, porém, a dosagem é muito menor, aplicada diretamente na área do tumor, de maneira concentrada.

Embora tenha surgido há cerca de três décadas, a embolização tem registrado importantes avanços nos últimos anos, a começar dos cateteres cada vez mais finos e dos materiais utilizados para bloquear os vasos sanguíneos. Substituindo os agentes embolizantes absorvíveis (com o tempo, o vaso reabria), vieram os permanentes, como as partículas de polivinil álcool (de formato irregular), e, mais recentemente, as microesferas com calibres da ordem da milésima parte de milímetro, que navegam melhor pelos vasos e chegam dentro do tumor. Elas possuem características que fazem as moléculas quimioterápicas aderirem à sua parede.

Guiado pelas imagens de angiografia (uma espécie de raio-X dinâmico), o médico conduz um microcateter até a região da lesão, levando as microesferas ao alvo. Primeiro elas estufam, bloqueando os vasos sanguíneos que alimentam o tumor, reduzindo a vascularização, o que contribuirá para que ele diminua de tamanho. Depois, a dose de quimioterápico concentrada no local vai sendo liberada de forma gradual ao longo de aproximadamente 15 dias. É a diferença, por exemplo, de se ministrar 50 mg de quimioterápico em apenas dois centímetros de tecido doente (quimioembolização) ou injetar 500 mg dessa droga em toda a corrente sanguinea do organismo (quimioterapia sistêmica). Além de atingir o alvo, os efeitos colaterais são reduzidos.

A quimioembolizaçao é eficaz em tumores que recebem aporte sanguíneo pelas artérias, como os do fígado, sejam eles primários ou metastáticos. Um fígado sadio tem duas vias de vascularização: a artéria hepática, responsável por 30% de nutrição do órgão, e a veia porta, que responde por 70%. No câncer, essa relação se inverte, e mais de 90% do sangue que vai para o tumor é levado pela artéria. Por isso, ao obstruir o suprimento arterial, são grandes as chances de reduzir o tumor que, na quimioembolização é atacado ainda pela droga quimioterápica. Essa técnica, contudo, não tem fins curativos. Ela reduz ou controla a doença para que sejam feitos outros procedimentos posteriormente, como cirurgia ou transplante.

O recurso tem beneficiado, por exemplo, pacientes com cânceres primários de fígado, entre eles o carcinoma hepatocelular, o mais prevalente, causado principalmente por hepatites B e C e cirrose hepática. Esse câncer possui baixa resposta à quimioterapia convencional e nem sempre é operável. A solução pode ser o transplante, procedimento que adota o chamado Critério de Milão, ou seja, são elegíveis pacientes com um tumor de até 5 cm ou até três tumores de 3 cm. Assim, a quimioembolização é utilizada para conter o crescimento de tumores naqueles casos que se enquadram nesses critérios, enquanto se aguarda o transplante, ou para reduzir seu tamanho, buscando tornar o paciente elegível ao procedimento. É adotada ainda em casos sem chances de cura, minimizando os sintomas e ampliando a sobrevida. Uma compilação de estudos multicêntricos realizados em vários países mostrou aumento médio considerável na sobrevida de pacientes com carcinoma hepatocelular submetidos à quimioembolização.

Alternativa de tratamento para tumores de fígado que não respondem às terapias tradicionais, a quimioembolização deve ampliar sua gama de aplicações. Já há estudos para a adoção da técnica em tumores do colo uterino e de pulmão. Na batalha contra o câncer, são novas e promissoras perspectivas.

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Publicado em 16/12/2011


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