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Mioma não é sinônimo de impedimento para engravidar

“Vou poder engravidar?” Essa é a pergunta mais frequente ouvida pelos ginecologistas logo após o diagnóstico de um mioma uterino. Conhecido também como fibroma, esse tumor benigno originado do crescimento anômalo de células do próprio músculo uterino tem a forma de nódulo e é muito comum na população feminina: pode ser encontrado em 35% das mulheres em idade fértil. Costuma aparecer a partir dos 30 anos, mas tende a regredir com a chegada da menopausa.

A doença é três vezes mais frequente nas mulheres de pele negra. “Elas têm um maior número de miomas, em tamanhos maiores e também costumam ter mais sintomas, além de apresentar a doença em uma idade mais jovem do que as mulheres brancas”, explica o Dr. Mariano Tamura, ginecologista do Einstein e responsável pelo setor de Mioma Uterino da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Além disso, há um fator genético importante no aparecimento do fibroma e, por isso, ele é mais comum em quem tem histórico familiar do problema.

São pouco frequentes os casos em que um mioma atrapalha a fertilidade da mulher. “Entre tantas causas de infertilidade, apenas 4% estão vinculadas a esse tumor”, avalia o Dr. Eduardo Zlotnik, ginecologista do Einstein. Muitas mulheres com miomas engravidam e a gestação transcorre normalmente. “Na maioria das vezes não há prejuízo na gravidez ou risco de abortamento. Mas isso depende de onde está o tumor”, alerta o Dr. Tamura.

Os miomas são classificados de acordo com a localização. Se ele estiver na parte mais interna do útero, junto ao endométrio, é chamado de submucoso. É o menos frequente, mas pode causar sangramentos intensos e prolongados e atrapalhar a implantação do óvulo fecundado. Caso esteja próximo às trompas, pode bloquear o caminho dos espermatozoides.

O tipo mais comum é o intramural, localizado na parede muscular do útero. Costuma apresentar sintomas claros, como cólicas menstruais, fortes sangramentos, sensação de peso no baixo ventre e dores ocasionadas por uma possível compressão dos órgãos próximos ao útero. É o que mais cresce e, por isso, o mais propenso a danificar o órgão reprodutor feminino.

Também na parede uterina, porém junto ao revestimento externo do órgão (chamado de serosa), estão os miomas subserosos. Apresentam menos sintomas, mas, se crescerem demais, podem comprimir intestino e bexiga, causando desconforto e dores abdominais.

Por último, o nódulo pediculado cresce para o lado externo do útero e, em geral, aumenta de tamanho até ficar pendurado por uma pele chamada pedículo, como se fosse uma ponte. Em geral não gera sintomas, mas pode causar desconforto e peso no ventre.

Como identificar

Os sintomas mais comuns são: sangramento intenso durante a menstruação, fortes cólicas, urgência de urinar, dor abaixo do umbigo ou sensação de pressão nessa região e dor durante a relação sexual. No entanto, a ausência de sintomas também é frequente. “Podemos afirmar que metade das mulheres com mioma não sente nada”, destaca o Dr. Zlotnik. A condição costuma ser descoberta por meio de exames clínicos ou de imagem, como a ultrassonografia transvaginal ou a ressonância magnética da pelve.

Ainda não se sabe ao certo o que provoca o aparecimento de um mioma, mas os médicos já reconhecem a estreita relação entre o crescimento do tumor e o aumento nos níveis dos hormônios femininos estrogênio e progesterona. Por isso, durante a gravidez é comum que o mioma aumente de tamanho e na menopausa ele reduza. “Quando ele para de receber hormônio, para de crescer e pode até regredir”, relata o Dr. Eduardo Cordioli, ginecologista do Einstein. O nível mais alto de estrogênio circulante em mulheres obesas também pode predispor ao aparecimento do tumor.

O tratamento

 

A cirurgia robótica, um avanço no tratamento cirúrgico de diversas doenças, vem sendo utilizada em procedimentos ginecológicos. Confira neste vídeo os benefícios deste método

Em casos graves, por causa do intenso sangramento, a doença pode levar à anemia, que precisa ser tratada, e também pode causar dor. “Se crescer muito rápido, o mioma fica sem oxigênio para se manter e, por isso, pode sofrer necrose e doer”, descreve o Dr. Cordioli.

No entanto, não são todos os casos que precisam de tratamento. “A doença é benigna e, portanto, só será tratada se trouxer prejuízo para a qualidade de vida da paciente. Porém, não existe tratamento sem risco de sequelas ou efeitos colaterais”, afirma o Dr. Tamura.

Para definir a melhor conduta, o médico deve avaliar tamanho e o número de miomas, gravidade dos sintomas, idade e planos futuros da mulher: se ela deseja ter filhos e também se pretende preservar o útero. Se o tratamento não for necessário, os médicos recomendam apenas o monitoramento anual ou semestral do tumor.

Contudo, se a opção for pelo tratamento, existem, ainda, duas frentes: cuidar apenas dos sintomas ou do mioma em si. Para os sintomas geralmente são utilizados suplementos de ferro para os casos de anemia; pílulas anticoncepcionais, anti-inflamatórios, antifibrinolíticos ou dispositivos intrauterinos (DIU) medicados em casos de fluxos menstruais intensos; e medicamentos analgésicos para os caso de dor.

Para combater o tumor as opções são a histerectomia (retirada do útero), a miomectomia (retirada dos miomas) e a embolização (redução dos miomas). Apesar da retirada do útero ser o único tratamento que garante a extinção da doença, os especialistas recomendam prioritariamente as alternativas conservadoras, que procuram manter o órgão e a fertilidade feminina, quando se trata de mulheres que planejam engravidar.

De todas as opções de tratamento disponíveis, a miomectomia é a melhor opção para mulheres que ainda pretendem engravidar

No caso da embolização, um cateter é introduzido por meio de uma artéria e vai por dentro dos vasos até o útero, onde deposita pequenas partículas que reduzem o fluxo de sangue para a região. Com dificuldade para se alimentar, o nódulo diminui o volume em 40 a 60%. Neste caso o útero sobrevive, mas tem prejuízo parcial da circulação. “Segundo os últimos estudos, após esse método, as chances de ocorrer um aborto numa eventual gravidez são de 40%, quando na população geral esse índice é de 15%”, pondera o Dr. Mariano.

Por isso, a cirurgia para extirpar o mioma ainda é o principal tratamento para aquelas mulheres que pretendem ter filhos. A intervenção preserva o útero e a circulação não é prejudicada, reduzindo, assim, os riscos de um futuro aborto. “Hoje, os procedimentos são minimamente invasivos, mas é importante conversar com cada paciente. E pensar na miomectomia como primeira opção para aquelas que desejam ter filhos”, aconselha o Dr. Tamura.

A miomectomia pode ser realizada por laparoscopia (três ou quatro pequenos cortes na região abdominal permitem a inserção de uma microcâmera e dos demais instrumentos, que cortam e retiram o fibroma e dão pontos na parede do útero), indicada geralmente para mulheres com miomas intramurais, subserosos e pediculados; ou, ainda, por histeroscopia, para os fibromas submucosos (o histeroscópio chega ao útero por meio do canal vaginal e realiza a retirada do tumor).

Com a modernização das intervenções cirúrgicas, hoje a recuperação das pacientes é mais rápida, o pós-operatório menos dolorido e o tempo de internação reduzido – entre 24 e 48 horas, de acordo com a opção adotada.

Publicado em 09/08/2012


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