Einstein Saúde na Veja

Facebook Twitter Youtube Google+ Instagram Linkedin Flickr  |  diminuir letra aumentar letra 

Lesões de ligamentos na prática de esportes

Entre os esportistas, ligamento cruzado anterior é o mais afetado. Mas cirurgia e fisioterapia podem levar à volta ao esporte.

A paixão dos brasileiros pelo futebol pode custar um alto preço a seus praticantes, sejam atletas profissionais ou eventuais. São eles, juntamente com os adeptos de outras modalidades esportivas, como basquete, handebol e esqui, as maiores vítimas de rupturas do ligamento cruzado anterior, um dos quatro mais importantes ligamentos existentes no joelho.

Maior e mais complexa articulação do corpo humano, o joelho é também uma das mais sujeitas a lesões, por ser frequentemente exposta a impactos e choques. Segundo levantamento do Colégio Norte-Americano de Cirurgiões Ortopedistas, é a principal causa de visitas aos consultórios dessa especialidade médica nos Estados Unidos.

Para permitir os movimentos de flexão e extensão do joelho, entram em ação músculos, meniscos, cápsula articular e ligamentos que unem o osso da coxa (fêmur) ao da perna (tíbia). Formados por tecido conjuntivo, os ligamentos agem em conjunto com os meniscos para permitir a mobilidade e a estabilidade do joelho, evitando movimentos anormais. “Joelho não foi feito para girar”, resume o Dr. Moisés Cohen, ortopedista do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) com especialização em Medicina Esportiva e presidente da Sociedade Mundial de Artroscopia, Cirurgia do Joelho e Traumatologia do Esporte. “Quando isso acontece, seja por impacto, queda, passo em falso ou rotação brusca do joelho quando o pé está apoiado no solo, é grande a probabilidade de um ou mais ligamentos sofrerem rupturas parciais ou totais gerando, além de dor, instabilidade nos movimentos”, completa ele.

O diagnóstico é feito por meio de exame clínico que, quando necessário, pode ser comprovado com a realização de ressonância magnética. Nas lesões do ligamento colateral medial (localizado na parte interna do joelho), o tratamento é clínico, quando não há outras lesões mais graves associadas, e a evolução em geral é boa, sem necessidade de cirurgia. Já o colateral lateral ou postero-lateral (parte externa) e o cruzado posterior (parte de trás) geralmente rompem concomitantemente, e o tratamento quase sempre é cirúrgico, com um planejamento pré-operatório adequado para abordar as lesões mais complexas. Porém, lesões desse tipo são mais raras.

A maior incidência de lesões ligamentares relacionadas à prática esportiva ocorre no ligamento cruzado anterior, localizado à frente do joelho. E aqui o cenário é diferente, podendo exigir intervenção cirúrgica. Mudanças de direção, arrancadas ou freadas rápidas durante corridas e saltos são fatores comuns que geram esse tipo de lesão.

Levantamento realizado nos Estados Unidos constatou que 40% das lesões de joelho são nos ligamentos. Desse total, 49% atingem o ligamento cruzado anterior, sendo 70% delas associadas à prática de esportes profissionais ou de recreação

Levantamento realizado nos Estados Unidos constatou que 40% das lesões de joelho são nos ligamentos. Desse total, 49% atingem o ligamento cruzado anterior, sendo 70% delas associadas à prática de esportes profissionais ou de recreação. No Brasil não há números seguros sobre esse tipo de lesão, mas a prática do futebol em terrenos irregulares e em pisos sintéticos, que dificultam o deslizamento dos pés, é um dos elementos que fazem supor que a incidência seja igualmente elevada. A falta de preparo físico também joga contra os praticantes eventuais.

Tratamento cirúrgico

Como na grande maioria dos casos a ruptura é total, a reconstrução do ligamento cruzado anterior é feita por meio de procedimento cirúrgico. A conduta é praticamente obrigatória para atletas profissionais ou recreacionais que, do contrário, não poderiam mais exercer essa atividade. “Também é altamente recomendável para os demais pacientes, já que as lesões do ligamento cruzado anterior, se evoluírem com instabilidade e não forem tratadas de forma adequada, têm alta probabilidade de provocar artrose, doença degenerativa que provoca dores, deformações e pode dificultar os movimentos”, alerta o Dr. Mario Ferretti, ortopedista do HIAE.

Já há alguns anos, a artroscopia ganhou o status de padrão ouro para a reconstrução do ligamento cruzado anterior. No Brasil, a modalidade mais utilizada é a do autoenxerto, em que a reconstrução é feita utilizando-se vários tipos de estrutura: parte do tendão da patela (rótula), tendões flexores (posterior da coxa) e tendão do quadríceps (acima do joelho). “Não se descarta o uso de enxerto com material de banco, mas isso aumenta os riscos de infecções e de incompatibilidade imunológica”, explica o Dr. Moisés Cohen.

O procedimento é minimamente invasivo, realizado com o suporte de um artroscópio, equipamento semelhante ao endoscópio, inserido dentro da articulação através de pequenas incisões. Atualmente pode-se utilizar a técnica conhecida como all-inside (totalmente intra-articular), visando à reconstrução anatômica, para que o ligamento fique o mais semelhante possível ao que era antes da lesão.

Assista ao vídeo com o Dr. Mário Ferreti, ortopedista do Einstein, contando como podemos nos prevenir de lesões esportivas

 

A importância da fisioterapia

No pós-operatório, a fisioterapia é fundamental para a recuperação. Mais ainda, no caso dos atletas profissionais, que precisam retomar a performance anterior. O trabalho envolve principalmente fortalecimento muscular e estabilidade de movimentos, através de treinamentos de equilíbrio.

“Mais recentemente começaram a ser adotados os treinamentos proprioceptivos, exercícios que ‘ensinam’ os ligamentos a reagir de forma mais adequada a movimentos anormais, ajudando a prevenir lesões”, comenta o Dr. Mario Ferretti. Isso é possível porque os ligamentos possuem a chamada ‘sensibilidade proprioceptiva’, ou seja, são ricos em receptores nervosos que percebem a velocidade, o movimento e a posição da articulação, transmitindo essas informações ao cérebro, que responde com ordens motoras aos músculos.

Depois de três meses de fisioterapia o paciente já pode correr e, em quatro meses, saltar. O retorno à atividade esportiva pode acontecer entre seis e oito meses após a cirurgia, período considerado o ‘timing biológico’ para a completa recuperação. Importantes para todos os pacientes, o empenho e dedicação ao trabalho de recuperação são fundamentais para o atleta profissional, que poderá reconquistar o mesmo nível de desempenho que possuía antes da lesão. E, assim, voltar aos campos e quadras para marcar muitos novos gols, fazer muitas novas cestas...

/swf/lesoesdofutebol.swf,690,600,transparent

Publicado em 03/10/2011


Compartilhe

Deixe um comentário

* *
* Caracteres restantes: 500
* Campos Obrigatórios

Aviso: todo e qualquer comentário publicado na internet por meio deste sistema não reflete, obrigatoriamente, a opinião deste portal ou da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein. Os textos publicados são de exclusiva, integral responsabilidade e autoria dos leitores que dele fizerem uso. O Hospital Israelita Albert Einstein reserva-se, desde já, o direito de excluir comentários e textos que julgar ofensivos, difamatórios, caluniosos, preconceituosos ou, de alguma forma, prejudiciais a terceiros. Informamos ainda que poderá haver moderação dos comentários que apresentarem dados clínicos ou pessoais dos autores, visando garantir a privacidade destas informações. Textos de caráter promocional ou inseridos no sistema sem a devida identificação (nome e endereço válido de email) também poderão ser excluídos.