Nutrição

Adoçantes: saiba como usar

Quem não fica em dúvida na hora de adoçar o cafezinho com adoçante, depois de ver tantos disparos contra essa substância na mídia? Em uma semana, é o grande companheiro de quem está na luta para perder alguns quilinhos. Na outra, é apontado como colaborador para o aumento do peso e até relacionado a doenças como o câncer.

Adoçantes: saiba como usar Afinal, ele é "mocinho" ou "vilão"?

O consenso entre os especialistas diz que o adoçante traz benefícios para a saúde, desde que utilizado com moderação. "O exagero nunca faz bem. Por exemplo, uma pessoa que toma quatro latas de refrigerante diet por dia vai consumir 120 latinhas no fim do mês. A falta de equilíbrio não é um problema apenas com o adoçante, mas com a alimentação em geral", explica Celso Cukier, nutrólogo e coordenador da Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

O adoçante passou a fazer parte da dieta com a evolução e a vida sedentária dos homens. Com o aumento do consumo de calorias e a pouca movimentação – coisa que não acontecia nos primórdios da civilização –, foi preciso pensar em alternativas para controlar o consumo de calorias. "Esse cenário criou o grande dilema de como conduzir a obesidade e a síndrome metabólica, que hoje já são problemas de saúde pública mundial", enfatiza o dr. Cukier. Os adoçantes vieram para tentar reduzir esse teor de ingestão calórica.

Constituídos por edulcorantes – substâncias responsáveis pelo sabor doce – os adoçantes têm poder de adoçamento extremamente maior que o do açúcar. Alguns podem ser utilizados para cozinhar por terem estabilidade suficiente para não perder o sabor doce quando expostos a alta temperatura, como o acesulfame K e a sucralose. "Por ter poder adoçante alto, de 400 a 800 vezes mais que o açúcar, a sucralose – embora seja mais cara – é a substância mais utilizada para substituir o açúcar na culinária", afirma o nutrólogo.

Pesquisa polêmica

Estudo divulgado em fevereiro de 2008, nos Estados Unidos, apontou que a ingestão de sacarina – um dos tipos de adoçante mais utilizados nos refrigerantes – pode provocar ganho de peso superior ao do açúcar. A notícia causou reação da indústria alimentícia e muitas dúvidas na sociedade, que passou a olhar os adoçantes com desconfiança.

Além da sacarina, outros tipos de adoçantes, como o aspartame, amplamente utilizado no Brasil, e o acesulfame, mais aplicado na culinária, têm o gosto doce bastante aproximado ao do açúcar e podem apresentar o mesmo efeito da sacarina. Para o nutrólogo do HIAE, é preciso ter bastante cuidado com a interpretação desses dados para não causar alarde na população. "O estudo foi feito com ratos, não com humanos. O metabolismo é diferente e fica difícil fazer comparações", avalia.

Esse cenário criou o grande dilema de como conduzir a obesidade e a síndrome metabólica, que hoje já são problemas de saúde pública mundial

Outro estudo, conduzido na Fundação Europeia Ramazzini em 2005, relacionou o consumo de aspartame por ratos de laboratório ao aumento de linfomas, leucemia e outros tipos de câncer. Entretanto, há várias críticas em relação a esse trabalho e existe a necessidade de estudos mais detalhados. "A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atesta que, de acordo com diversos comitês internacionais, o aspartame é seguro", afirma Rosana Raele, nutricionista do Centro de Medicina Preventiva do HIAE.

Doses recomendadas

O órgão que regulamenta a alimentação e os medicamentos nos Estados Unidos, o Food and Drug Administration (FDA) recomenda que o consumo diário de adoçantes dietéticos seja de quatro a seis pacotinhos de um grama quando em pó, e de 9 a 10 gotas para os líquidos.

"Para o consumo superior a essas doses não se encontra, na literatura científica, nada que possa sugerir alguma anomalia metabólica ou orgânica, mas nas indicações do FDA o excesso não deve ser estimulado", salienta o dr. Cukier.

E além de considerar o adoçante utilizado no suco ou cafezinho, vale lembrar que ainda se consome a substância em alimentos diet industrializados. Portanto, é preciso ficar atento ao exagero. "É sempre bom verificar os produtos para avaliar a quantidade de adoçante e manter o equilíbrio", diz o nutrólogo.

Então, qual a vantagem de usar adoçante em quem não tem problema de peso? Segundo o dr. Cukier, nenhuma. "Uma colher de chá de açúcar tem cerca de oito gramas, o que corresponde a 32 calorias. O que isso vai impactar realmente no seu dia entre você ganhar ou perder peso? Nada", avalia. A preocupação deve estar em diminuir a carga calórica em excesso, como doces, balas e refrigerante.

Publicada em junho / 2008

Atualizada em setembro / 2009

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